A escritora

Por Chris Fuscaldo

Atendo por três nomes, mas não tenho três caras. Nasci sem saber como me chamava, mas logo minha madrinha de consagração sugeriu a minha mãe que desse a mim o mesmo nome delas duas: Cristina. Minha mãe incluiu um H virei Christina na certidão de nascimento, Christininha para todos os familiares e amigos de infância e Chris para os colegas de faculdade e do Jornalismo, carreira que escolhi seguir paralelamente aos estudos de Letras. Nasci em Niterói e, apesar de me orgulhar disso, quando conheço em viagem alguém de fora, tento facilitar o entendimento: “Sou do Rio!” Acabei me enrolando quando disse isso, naquele Carnaval de Olinda, para Marco, um rapaz encantador que tinha como sonho se mudar para uma cidade de praia e Rio era uma das opções. Depois que ouvi ele me contar isso, como dizer que, na verdade, eu era da cidade que fica “do outro lado da poça”? Como só tenho uma cara, achei melhor contar logo e, também, logo descobri que ele também não era de Curitiba como havia me falado, mas de uma cidade chamada Araucária. Amei a coincidência. Achei que a história tinha começado bem!

Sou filha de um engenheiro, arquiteto e músico amador com uma pedagoga, paisagista e mãe (sim, mãe como profissão). Tenho um irmão advogado e músico profissional e cresci me relacionando com arte. Quando tive a oportunidade de começar a escrever, em 1999, escolhi a música como tema. Além do Jornalismo na UniverCidade, fiz metade do curso profissionalizante de Teatro da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), tendo participado lá da montagem de O Jardim das Cerejeiras, do russo Anton Tchecov, e, fora de lá, de peças infantis com a Cia. Gene Insano. Terminei também a faculdade de Letras (Português-Italiano) na Universidade Federal Fluminense (UFF). Depois de obter meu título de Mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Puc-Rio, hoje curso o doutorado do mesmo programa da mesma instituição. Tenho quatro livros, três deles em vias de serem publicados (alguns prontos, outros em produção): o infantil Eu Na Minha Terra Distante (em parceria com Taís Salles), o Almanaque Rock in Rio, além de uma uma biografia de Zé Ramalho (ainda sem título). Em dezembro de 2016, lancei o Discobiografia Legionária, uma biografia da Legião Urbana contada de dentro do estúdio, através das histórias das gravações dos discos da banda. E, em breve, lanço também meu segundo disco, o primeiro solo e autoral depois da estreia em 2008 como intérprete na banda ECT (Eu, Chris e Taís).

Marco é um dos maiores incentivadores de tudo o que faço, além de ser meu melhor companheiro em viagem, coisa que gosto muito de fazer. Marco é também o noivo que eu não pedia Deus – porque passei a vida dizendo que não ia me casar -, mas foi ele quem me fez acreditar que casamento pode ser uma coisa muito (mas muito mesmo!) legal. Eu dizia que era bobagem e que não queria nada tradicional. Mas, quando me vi às vésperas de subir ao altar, percebi que era a noiva mais cheia de expectativa que conheci. Isso porque, além de estar firmando um compromisso com um homem que me conquista mais a cada dia, eu transformei meu casamento na celebração que eu sempre sonhei ver de perto. Tudo foi personalizado, desde a escolha do tema (fizemos um casamento inspirado na cultura nordestina, já que foi em Pernambuco que nos conhecemos), até a música da cerimônia e o cordel escrito por mim e lido pelo amigo músico Rodrigo Sestrem logo após a troca de alianças e os votos. Os amigos dizem até hoje que foi cinematográfico, um evento que entrou para a história deles. Nós fechamos o ciclo felicíssimos e eu, particularmente, nunca mais consegui não me envolver com a história dos noivos que apareceram na minha vida.

O cordel que escrevi para o meu casamento (leia-o na íntegra abaixo) virou, inclusive, uma publicação, com direito à ilustração à base de xilogravura, enviada junto com o convite aos convidados (para que eles chegassem no dia inteirados da biografia do casal). Nele, eu conto a nossa história desde o dia em que nos encontramos até subirmos ao altar. O texto animou a cerimônia, realizada na Igreja Histórica da Paróquia São Francisco Xavier, em Niterói, envolveu os convidados e ainda roteirizou o curta-metragem que a equipe de filmagem preparou pra gente. Vale lembrar que a direção musical do casamento e da banda que eu mesma montei especialmente para o evento também foi minha e a música fez a maior diferença… Depois do nosso casamento, várias pessoas viram do que um bom texto é capaz. E não necessariamente precisa ser poético. Além do cordel que preparei para Alinne e Eliel, fui convidada a escrever o depoimento de um dos padrinhos de Érico e Juliana, a biografia para o site, os votos e a direção musical do casório de Elias e Tatiana, e a biografia que eu mesma falei no de Daniela e Giuliano, entre outros trabalhos para outros casais (nem todos eu cito aqui no site porque muitos dos textos são íntimos e os noivos preferem manter sob sigilo). Se já vinha me especializando em biografias de músicos e cenários musicais como jornalista e na minha vida acadêmica, na prática hoje sou uma biógrafa de gente, além de produtora musical.

Para quem quer saber mais, durante minha jornada profissional, que começou em 1999, passei pela rádio Jornal do Brasil, pelos jornais Extra (colunista e repórter de música no Sessão Extra e editora da revista Toda Extra) e O Globo (repórter da revista Megazine e produtora de conteúdo para as redes sociais da revista), pelos sites GloboNews.com e O Globo (repórter de Cultura) e pelos portais Globo Cidadania (subeditora) e Globo.com (editora). Já prestei serviço como coordenadora de conteúdo e relacionamento digital para clientes da agência de publicidade Artplan e também coordenei a produção para as redes do MetrôRio. Fundadora do blog GarotaFM em 2008, venho colaborando desde 1999 para revistas, entre elas O Cais, MTV, Flash, Bizz, Rolling Stone, OutraCoisa, GQ, Gloss, Marie Claire, Top, Movie, Monet e UBC. Mantenho um blog, o Chris Fuscaldo, onde escrevo o que penso, falo e faço. Sem pudores, sem me preocupar com linha editorial ou foco, é um lugar onde gosto de expor meus sentimentos e guardar a minha história.

Como gosto de experimentar e, como dizem por aí, sou “pau pra toda obra”, também fiz assessoria em comunicação para os músicos Hyldon, Gaby Amarantos, Bruno Batista, Leticia Persiles e Clara Valente, vídeos para a Gruda em Mim e muuuuitos releases discográficos ou biográficos. Desde 2003, assinei diversos deles para diversas gravadoras ou artistas independentes: Zé Ramalho, Fiuk, Ivete Sangalo, Paula Fernandes, Diogo Nogueira, Ludmilla, Kelly Key, Eduardo Costa, Ludmilla, MC Guimê etc. Entre 2008 e 2009, fiz uma série de entrevistas para escrever uma discobiografia da Legião Urbana que saiu em 2010 encartada nos LPs e CDs reeditados pela EMI Music (cada encarte trazia a história da gravação do disco). Em 2014, fiz as pesquisas, as entrevistas e os roteiros dos episódios do Mulheres do Brasil, um programa sobre mulheres cantoras e compositoras brasileiras exibido pelo Canal Bis. Em 2015, trabalhei na pesquisa de conteúdo e nas entrevistas do livro Rock in Rio 30 Anos e fiz o conteúdo do Almanaque Rock in Rio, ainda não lançado pela editora 5W em parceria com o festival.

 

O Amor Em Três Atos – Do Carnaval Ao Casamento

Vou contar uma história
Não é preciso memória
Pras coisas boas lembrar
Em 2010 tudo começou
Chris por Marco se apaixonou
Ele com ela quis casar

De carnaval Chris não gostava
Ia no Rio, mas não brincava
Quando a amiga lhe convenceu
O de Olinda é diferente
Tem boa música e boa gente
Quem vai levar você sou eu

Erika a apresentou a Pernambuco
Parece história de maluco
As jornalistas foram cobrir um festival
Marco foi à conferência no mesmo mês
Mas o encontro não desta vez
Em setembro não tem Carnaval

Até fevereiro de 2010
Distantes quase três milhões de pés
Eles pensavam no retorno triunfal
Luasses e Etiene vinham pro Rio
João e Rachel a Marco não convenciam
Ele queria o verdadeiro Carnaval

A viagem pra Olinda planejou
De Curitiba Marco cansou
“Folia aqui não tem graça”
Rumou pra casa da Mari Lyra
Em Recife passou uns dias
Na Casa da Mãe Joaninha bradou “Que massa!”

Após ir com Rod a João Pessoa
Chris pegou o ônibus pra Olinda na boa
Na Casa da Tua Mãe encontrou Gabriel
Vejam só que coincidência
Marco esbarrou não por consequência
Com o amigo também de nome Gabriel

O primeiro encontro só Chris lembra como se deu
Tudo aconteceu num show de Alceu
Encantou-se com o rapaz que com sua máscara dançou
Marco curtia do camarote as ofertas
E não percebeu que tinha feito a descoberta
No Carnaval do seu grande amor

Era abertura da festa de Olinda
No dia seguinte, em Recife, que coisa linda
Chris chamou Marco no meio da multidão
A conversa parecia interminável
O primeiro dia no Marco Zero é incomparável
Um invadiu do outro o coração

O reencontro demoraria
O beijo só na virada de terça sairia
Na última música do último show do último palco
Foi o terceiro ato dessa história
E se não me falha a memória
Chris e Marco trocaram contato

O amor se consolidou na quarta de Cinzas
Red Label ou Ice no som do taxista
Antes da despedida, tomaram um café
Sanduíche de queijo e flores
Ambos temendo morrer de amores
Decidiram viajar com fé

Pra Curitiba Marco embarcou
Pra Angélica e Michele falou
Que encontrou sua verdadeira paixão
Em Londres Chris contou pra Mariana
Em Niterói, pras amigas Thaís e Fernanda
Ela também queria continuar aquela relação

O segundo encontro foi em Fortaleza
“Nordeste de novo, que beleza!”
Chris conheceu Guti no hotel
Todos com cultura trabalhavam
Chris no blog enquanto eles militavam
No café da manhã, tapioca de coalho e mel

Petrópolis foi no Rio o primeiro destino
A Quaresma terminava pro casal de meninos
Que na Páscoa o namoro consolidou
Graças a Ceci foram à Bahia
Sem Santos Dumont essa história não existiria
O aviador pra padrinho a dupla convidou

Houve muito choro durante um ano
E-mail, telefone e chat não bastavam
Encontravam-se uma vez por mês
Ciúmes e saudades os dois sentiam
Hilda e Érico sempre os socorriam
Valia a pena ver o amor crescer

Em 2011 Marco não aguentou
De mala e cuia pro Rio embarcou
Com Chris pra sempre queria viver
Esbarrou com o amigo de infância Leo
Descobriu Dudu e, na sequência, Daniel
Os padrinhos Kinga e Névio quis conhecer

Num jantar chique no Leblon Marco colocou
A aliança na mão de Chris e ela chorou
Ele prometeu que nunca ia partir
E em uma reunião de família
Pediu a Cristina e Cornélio a mão de sua filha
“Experimentem a vida a dois para decidir”

Em Niterói, todos vibraram
Bernadete e Zé Luís comemoraram
Chris e Marco já tinham irmãos casados
Felipe é pai de Stella
Fábio é o pai de Isabelle
Pra darem netos foram menos pressionados

Ela estuda Letras, mas é jornalista de música
Canta com Taís e é fã de Zé Ramalho e Sivuca
Com Marco foi ao Fórum Social Mundial
Ele é da tecnologia e da ciência política
Curte Boaventura, Toni Negri e uma boa crítica
Foram ver Helen nos EUA após ir com Pedro ao Senegal

Em muitos shows compareceram
Diversas viagens os dois fizeram
De vez em quando visitam Curitiba
Chris conheceu outro Leo, o do Paraná
E não se cansa mais de esperar
Ninguém chora mais por uma partida

O Carnaval no Rio ficou mais divertido
Com o chileno Pablo e aqueles outros amigos
O Ano Novo em Floripa foi com Otávio e Renata
Juntos experimentaram felicidade e sofrimento
Pra ter certeza de que do casamento
Podiam marcar a data

O grande dia finalmente chegou
Pra cerimônia todo mundo se preparou
A ordem é curtir a festa nordestina
Serão pelo Padre e parentes abençoados
E pelos padrinhos neste cordel citados
Sairão casados Marco Antonio e Christina

E assim termina essa história de amor
Que em três atos se consolidou
Agradecemos as avós e ao avô
Foi do Carnaval ao casamento
E que isso sirva de exemplo
Pra todo casal que um dia já amou